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Quinta-feira, Maio 18, 2006
Peripécias iguaçuanas 2 - a missão
Ninguém merece... plena noite de sábado ir para Tinguá, distrito de Nova Iguaçu, para uma caminhada ecológica. Peraí, caminhada ecológica noturna??? É, isso mesmo. Repito, ninguém merece.
Ahh, vamos subir aquele morro que tem uns 700 metros de altura a noite para ver as estrelas lá de cima com uns astrólogos amadores. Opa, opa... estrela eu vejo do chão, nível do mar... Pra piorar, o céu estava nublado e chovia de vez em quando.
Chegamos lá na tal chácara por volta de uma hora e meia do horário que fora marcado o início da caminhada. Ficamos lá de bobeira, comemos o lanche servido e esperamos... esperamos... esperamos... uma hora e meia depois do horário marcado resolvem começar a caminhada.
Todo mundo nas charretes para já ir se integrando com a natureza(?)... cinco pessoas estavam na charrete que eu me encontrava. Um cavalo nos puxava e um garotinho enfiava a vara no bicho pra ele conseguir nos levar. Como já havia chovido aquela noite, o chão, de terra, estava enlamaçado, o que dificultava o trabalho do animal. Como estávamos gravando o tal "evento" fomos puxando o pelotão de trocentas charretes, até que chegamos numa subida e o cavalo ia, ia, ia e não foi... escorregou ladeira a baixo... o bichinho desesperado na frente e eu desesperado atrás com medo de tudo virar em cima de mim.
Passado o susto, andamos os 20m que faltavam até chegar no ponto inicial da caminhada. Lá foi feito um "briefing" de como seria o passeio e tal. E ainda teve uma explicação de que lá onde pisávamos era a antiga estrada real, construída pelos escravos e que servia de escoamento da produção aurífera de Minas até o porto de Iguaçu... e eu com isso? Tudo explicado num português muito arcaico, digamos assim. rs
A instrução dada foi de andar em fila indiana e permanecer de preferência com as lanternas desligadas, porque como a lua estava cheia (e linda), conseguiríamos ver o caminho numa boa.
Foi dada a largada, digo, a caminhada e quem vai na frente costuma guiar quem está atrás com as dificuldades do caminho. Assim que o cara falou "buraco", meu pé esquerdo pisou neste tal buraco e desceu cerca de 30cm. Não acabou aí, pra piorar o buraco estava cheio de um líquido qualquer... fica a dúvida no ar: seria este líquido água da chuva acumulada ou esgoto a céu aberto?
Não sei, estava escuro e a luz que a lua nos mandava não era suficiente para saber... e pra ser sincero nem quis olhar.
E morro acima sempre. Não parava nunca. Até que chegamos numa pedra onde o responsável pelo passeio dizia ter a imagem de uma santa... Pára o povo todo pra olhar, continua a caminhada... passa no meio de arame farpado, trocentos mil cocôs de vaca, cavalo ou seja lá que bicho for... e nada de parar de subir.
Até que chegamos num determinado lugar que o cara disse se tratar de um mirante natural onde se via toda a baixada, Rio e Niterói... beleza... Rio e Niterói eu vi, a baixada não porque as árvores enormes não permitiram. Enfim, vai entender...
E a tal da caminhada continuava, num dos raros momentos de descida, havia muita lama, árvore de um lado da trilha e do outro uma espécie de "precipício" com mais árvores mais para baixo... o que acontece nessa hora??? Isso mesmo... escorrego na lama e pimba, de bunda no chão e escorrego por três metros na trilha... ainda bem que fiquei só na trilha, imagina o estrago que seria se caísse lá embaixo. auhaouihae
Quase no final houve um pitstop para o feijão-amigo, ao lado de uma nascente e de um laguinho... legal né?! Nada, não se via joça nenhuma e as tochas instaladas no local já estavam quase no fim quando chegamos.
Mais alguns entos metros acima e uma vista, agora sim, da baixada, do Rio e Niterói. Mais dez minutos que o povo para pra ver aquelas luzes e deixando o corpo esfriar... por falar nisso, ventava frio e a temperatura era baixa...
Chegando no topo, prontos para ver as estrelas o que acontece??? Chove, ninguém vê estrela nenhuma.
E pensar que o pior ainda estava por vir... a volta.
O relógio marcava quase meia-noite (sendo que a caminhada começou quase às nove). Entramos no jipe, três pessoas apertadas no banco de trás (dentre elas, eu) onde só cabe uma. Não demorou muito comecei a sentir meu pé formigar... depois a panturrilha, coxa. Em seguida veio uma dor profunda na perna, e eu já preocupado pensando numa provável amputação tentava mexer os dedos e não conseguia... tentava mexer o pé e nada... até que eu com as mãos consigo uma posição para a perna e vagarosamente volto a sentir o membro... que ameaçou formigar de novo, mas não passou de uma ameaça.
Só fui chegar em casa às 3h. E com isso perdi a chance de encontrar com a Karol que mais uma vez veio a Niterói... bleh.
Eu até queria, mas por essas e outras eu não consigo gostar da baixada.
Huh
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