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Quarta-feira, Agosto 30, 2006
Brincando com Deus.
Brincando de roda. Voltando a ser criança. Na pureza é onde Deus é ouvido mais alto.
As crianças são puras, sinceras. E nelas Deus transborda. Assim me senti neste final de semana que passou. Uma criança com o amor de Deus transbordando.
Fazia anos que não brincava de roda, e brincamos. 11 crianças. Rodando, rodando e rodando... cada vez mais rápido, até a hora em que as mãos não conseguiam mais permanecer enlaçadas. Uns 20 segundos, talvez um pouco mais foi a duração da roda. Mas pareceram minutos.
Via-se Deus ali no rosto de cada um, no sorriso de cada um, na gargalhada, na corrida... e eu com eles lá, bem no meio me sentindo abraçado por Ele.
Me senti brincando com Deus, brindando Suas bênçãos.
Uma experiência nunca antes vivida, difícil até de descrever. Dois dias inteirinhos cheios de paz.
Brincando com o Senhor eu descobri que ter a pureza de uma criança nos faz ouvi-Lo melhor. Brincando com Deus, descobri que Ele é o Senhor da razão e do tempo. Brincando com Deus, eu descobri o amor. O meu amor por Ele.
Voltei renovado, renascido.
Post inspirado no Rango na Madrugada e na abençoada viagem à Canção Nova.
Huh
Sexta-feira, Agosto 04, 2006
Janelas da alma.
Pedro aparentava, assim como o significado do seu nome diz, ser uma pedra. Grande, forte, robusto, seguro. Mas por dentro era ainda muito frágil já em seus vinte e poucos anos.
Ele foi com um casal de amigos a uma festa, e assim que chegou viu, singela e quase flutuante, Andréa.
Andréa era uma mulher normal, nem bonita, nem feia, também por volta dos vinte e poucos, um pouco mais vividos que Pedro. Andréa também significa forte, e assim como Pedro, era como se apresentava. Mas por dentro estava sozinha e frágil. Ela foi à festa acompanhando um casal de amigos. Ao andar pelo salão parcialmente cheio viu Pedro entrando.
Eles já se conheciam antes daquele encontro inesperado. Trocavam poucas palavras, nada mais que cumprimentos educados e sorrisos gentis. No entanto, na festa, eles se viram pela primeira vez. Dizem que os olhos são a janela da alma, que falam mais que as palavras. E ali eles se viram, enxergaram toda a fraqueza interior de cada um. E sentiram-se completos, cada um com sua fragilidade, cada um com sua fortaleza.
Andréa sorriu. Pedro correspondeu. Um segundo-eternidade. Os dois olhavam-se sorrindo. Como num filme hollywoodiano as luzes enfraqueceram, a bandinha começou uma balada que falava de uma certa troca de olhares, e para eles nada mais existia naquele momento.
Apenas os dois. Olhavam-se sorrindo, acolheram-se no olhar, sentiram o abraço quente um do outro pelo reflexo das luzes em seus olhos.
Pedro pensou em se aproximar... tudo o que conseguiu fazer foi dar um passo a frente.
Andréa pensou em se aproximar. Deu um passo a frente e desenrolou seu cachecol verde do pescoço, parecia que aquela troca de olhares havia esquentado a fria noite de outono.
Pedro quis passar seus braços pela cintura de Andréa e deixar a melodia da balada de amor os levar flutuando pelo salão. Pelo salão deles, só deles.
Pedro hesitou como sempre fazia. O medo da negativa sempre despedaçava a pedra que parecia ser sólida vista pelo lado de fora. Ele sempre hesitava, sempre acabava da mesma forma: sozinho.
Ele demorou um segundo mais que o devido. Um dos amigos de Andréa a puxou pelo braço e o olhar se foi. As luzes voltaram com força total que chegaram a incomodar os olhos hipnotizados de Pedro. Era ele agora quem procurava um cachecol para se proteger do frio lancinante que por um momento entrou rasgando no salão. No salão dele, só dele. Tudo o que Pedro conseguiu fazer foi fechar os olhos e pedir para que aquele momento se repetisse. Queria uma segunda chance, só dessa vez.
Andréa sumiu...
Alguns dias depois, Pedro viu Andréa onde costumavam se esbarrar, no pátio da Igreja após a missa, o que de certa forma explicava tal sentimento acolhedor na troca de olhares. Provavelmente sabiam o que o outro buscava naquelas conversas nas tardes de domingo após a missa no jardim da paróquia, alguém que partilhasse dos mesmos complementos para a alma, além do amor humano que lhes era ausente.
Ele sorriu, ela monalisa. Eles se cumprimentaram, Andréa não viu Pedro como no outro dia, e se foi. Pedro mais que nunca se sentiu vazio...
Semanas depois Pedro atendendo ao convite de um grande amigo e foi a sua festa de aniversário. Mas desta vez, Pedro foi sozinho. A noite estava particularmente fria. O salão estava lotado e quase não havia espaço para dançar. Uma banda tocava ao vivo alguns sucessos do momento, outros mais antigos. Os convidados dançavam e se divertiam. Pedro estava se sentindo um pouco desconfortável naquele lugar abarrotado.
A noite foi avançando e o repertório da banda foi mudando aos poucos, até o momento em que tocaram uma balada que falava de uma certa troca de olhares. Abriu-se um pequeno clarão na frente de Pedro no exato momento em que Andréa está virando a direção de sua suave dança.
Pedro vê Andréa. Andréa, parando lentamente de dançar, vê Pedro. Ela sorri, ele corresponde. Um segundo-eternidade.
Como num filme hollywoodiano as luzes apagam e ficam apenas os dois, com holofotes os iluminando, aqueles olhares, o salão todo. O salão deles, só deles...
As janelas estavam mais abertas do que nunca. Foi quando as almas se viram por inteiro. Idênticas, gêmeas talvez.
Pedro pensou em se aproximar. Andréa desenrolou o cachecol azul do pescoço.
Pedro quis passar seus braços pela cintura de Andréa e flutuar seguindo a música. Andréa tirou o cachecol do pescoço e o segurou na mão direita.
Pedro entendeu o sinal. Desta vez é pra não pensar e agir ¿ pensou. Ele diferente do que sempre fez, agiu. E pela primeira vez, acertou e flutuou.
Marcelo fica eras sem postar, e quando posta sai isso. Qualquer coisa...
Huh
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