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Quarta-feira, Março 28, 2007
Aventuras na Paulicéia - Parte IV
Do reboco à Natureza.
Há um mês, estávamos os três em São Paulo. Eu, Camila e Fernanda. O motivo? Show do Coldplay. A banda veio ao Brasil fazer três shows, e nós compramos o ingresso para o último deles, dia 28 de fevereiro no Via Funchal.
Chegamos em São Paulo na véspera, terça-feira dia 27. Fomos até o hotel onde fizemos a reserva e a princípio tudo parecia em ordem, bom, a princípio. Fizemos o check-in, e subimos até o nosso quarto. Ao adentrar o ambiente, a surpresa. O sanitário era num lugar, a pia noutro e o box do chuveiro também. Rá, maravilha hein!!! Fora que havia uma cama de casal e um beliche na cabeceira, que não estava arrumado, apenas com o travesseiro e a proteção do colchão. Haviam dois sabonetes e duas toalhas. Achamos aquilo um tanto esquisito.
Algum tempo depois fomos reclamar com a recepcionista da noite.
F - Olha só, o beliche não tá arrumado...
R - Sim. Nós não arrumamos.
T - Ahn?!
R - O beliche fica por conta do hóspede...
C - Como é?!
R - Todo o serviço do quarto é feito, mas a segunda cama não é arrumada.
C - Mas o quarto não é triplo?!
R - Ele é duplo com capacidade para três pessoas.
M - Peraí, mas no site do hotel vem dizendo que é triplo... vocês anunciam um serviço e oferecem outro?
R - É que na verdade, a cama de cima serve como proteção para quem dorme embaixo.
M - Proteção contra o quê?! Meu Deus, vai cair o reboco do teto!!! Não durmo lá não!!!
R - =)
C - Mas que absurdo.
R - Eu concordo com vocês.
M - Se vocês falam que têm quartro triplo devem oferecer serviço para tal...
R - Eu concordo com vocês.
F - Então vocês vão arrumar o quarto?
R - Não.
F - Mas que absurdo...
R - Esse é o método usado na europa. Esta rede vem da França.
C - Nós estamos na França?!!
R - Eu concordo com vocês...
F - Se você fizesse uma reserva num hotel e chegasse lá na hora e visse que não era bem aquilo que fora anunciado, você não se sentiria uma otária?
R - Eu concordo com vocês...
F - Você é otária.
R - Eu concordo com vocês...
E fomos ao Via Funchal retirar os ingressos. Como não poderia ser diferente, ir a São Paulo e não ficar preso num engarrafamento durante a chuva é como ir à Disney e não ver o Mickey. De ônibus, enfrentamos mais de uma hora de engarrafamento (em pé) num percurso feito em torno dos 20 minutos na ida. Cheguei até a sentir falta do 996, lata de sardinha, digo, ônibus que costumo pegar para ir até o Rio... pra variar, lá em Sampa voltei espremido numa das várias portas, já que os veículos de lá tem porta para tudo quanto é lado...
Enfim, ao retornarmos tentamos mais uma vez manter um colóquio com a recepcionista, mas não fomos bem sucedidos.
Acabou que revoltado, não fiz a cama. Dormi em cima da proteção do colchão mesmo, mas usei a toalha pro banho.
Sem contar o fato de que a cama era menor que eu e havia uma barra de metal nos pés. até a metade, me fazendo dormir envezado. Várias cabeçadas na parede, cotoveladas e afins.
Para tomar banho era um caso a parte. A porta do box era inacreditavelmente transparente, e quem estivesse no quarto via o que acontecia no box. A porta não era totalmente transparente, era meio fosca, mas haviam duas rodelas transparentes, visão total. Uma na altura do rosto, e a outra... bom, deixa pra lá.
O box era minúsculo e para banhar-se era preciso ser artista, os primeiros minutos eram acompanhados por diversas cotoveladas na parede. Pra se secar também não era fácil, mas não houve incidente maior. Só quando as meninas não ouviram que eu já havia trocado de roupa e quase se sufocaram com os travesseiros nos rostos.
Pois é, isso acontecia também, quando uma delas ia tomar banho, eu deitava na cama, e virava de costas, e vice-versa.
Na quarta-feira descobrimos o café meio muquirana do hotel. E fomos bater perna. Destino? 25 de março, o paraíso das bijuterias. Durante o trajeto Fernandinha luta bravamente contra a Natureza... sempre ela, cruel, ataca nos piores lugares possíveis!!! Então, após Fê vencer a batalha continuamos lá na 25. As duas acharam uma loja e ficaram lá dentro por horas, como não havia nada que me interessava e fazia um calor da peida lá dentro, resolvi ficar na porta, sentado. Um incrível estudo antropológico, vi a habilidade dos vendedores de CD's piratas e a ação do rapa. Primeiro quando um vendedor conseguiu fugir, e depois quando os policiais varetaram um camelô na parede. Surgiu policial de tudo quanto foi canto, e ainda puseram um senhorzinho pra pisar nos CD's.
De lá fomos até a rádio Mix, onde íamos encontrar com a famosíssima Karol. Ela fez um tour conosco e apresentou os lugares da rádio. Estúdios e tudo mais. Saímos em direção ao nosso almoço.
Almoçados e felizes, voltamos ao hotel para nos prepararmos para o grande acontecimento. O show.
Agora era eu quem lutava contra a Natureza. Mas não foi uma batalha intestinal comum. Pra falar a verdade, a única coisa que eu não senti foi minha barriga. Todo o resto doía. Cabeça, costas (principalmente), pernas. Uma coisa horrível.
Enquanto eu agonizava na cama, as meninas foram reclamar com o gerente do hotel sobre o beliche. Como eu não estava presente, não posso transcrever a conversa, mas o resultado final foi que ganhamos vale-cafés para os dois dias de hotel que ainda tínhamos. O café custava R$5 por pessoa.
As duas amorosamente fizeram a cama enquanto eu lutava contra mim mesmo, tentando me manter vivo, pelo menos só até o final do show. Padecer ali seria uó do borogodó, convenhamos.
As meninas pediram um jantar num restaurante, já que no hotel não tinha comida. Eu tava tão mal que não consegui comer nada, só em colocar um pouco de comida na boca já sentia vontade de pôr tudo pra fora.
Foi quando a gente começou a se arrumar pro show. E fomos...
E o show?! Bom, fica pro próximo post.
Huh
Só assim eu me forço a postar de novo, e em breve. =)
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